terça-feira, 15 de março de 2011

MÉIER - RIO DE JANEIRO

História do Méier
Méier é um dos mais tradicionais e importantes bairros cariocas, estando localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro, no Brasil. Apresenta duas aparências urbanas distintas: uma mais agitada nas áreas próximas da rua Dias da Cruz e da estação ferroviária, e outra mais calma nas ruas mais internas.
O Méier é habitado, na sua maioria, por famílias de classe média e é o décimo sétimo bairro carioca com maior IDH, de 0,931, sendo um dos mais valorizados da Zona Norte, só perdendo para o Jardim Guanabara (0,962), Maracanã (0,944) e o Grajaú (0,938). O Méier faz divisa com os bairros do Lins de Vasconcelos, Engenho de Dentro, Cachambi, Engenho Novo e Todos os Santos. É no bairro que se localiza o primeiro shopping do Brasil, o Shopping do Méier, inaugurado em 1963.

No século XVIII o bairro era uma fazenda de cana-de-açúcar. Em 1760 houve desentendimentos entre os Jesuítas (os donos da fazenda) e a Coroa Portuguesa que os expulsou do Rio de Janeiro. A fazenda então foi dividida em três partes: Engenho Novo, Engenho Velho e São Cristóvão. Em 1884, Dom Pedro II presenteou um amigo com parte das terras. Esse amigo tinha o nome de Augusto Duque Estrada Meyer (filho do comendador Miguel João Meyer, português de origem alemã e um dos homens mais ricos da cidade, no final do século XVIII), conhecido como Camarista Meyer por ter livre acesso às Câmaras do Palácio Imperial.
Por sua causa, a região ficou conhecida como "Meyer" (pronuncia-se "Maier"), e depois de um tempo os moradores aportuguesaram para Méier. Os primeiros habitantes da região eram escravos fugidos que formaram quilombos na Serra dos Pretos-Forros.
Cortado pela Estrada de Ferro Central do Brasil, a história do Méier às vezes se confunde com a dos trens. O aniversário da sua estação ferroviária é utilizado como data de fundação do bairro: 13 de Maio de 1889. A Estrada de Ferro foi de extrema importância para o início de um acelerado progresso da região, atualmente conhecida como Grande Méier. A partir da década de 1950 o bairro explodiu demográfica e comercialmente. Em 1954 o bairro ganhou o Imperator, na ocasião a maior sala de cinema da América Latina com 2.400 lugares. Em seguida foi a vez do Shopping do Méier se instalar no bairro, o primeiro do gênero a ser inaugurado no Brasil.
Um dos grandes problemas do Méier é o trânsito. O aumento de tráfego após a implantação da Linha Amarela somado as vias de acesso que ainda mantém um dimensionamento obsoleto complicam o trânsito na região, tornando-o por vezes caótico. Quem vem do Centro enfrenta congestionamentos na avenida 24 de Maio e quem sai da Linha Amarela observa trânsito lento em ruas como Arquias CordeiroBorja Reis e Dias da Cruz, principalmente no horário de rush.
É um dos principais pólos comerciais da cidade e um dos bairros cariocas que mais vem se desenvolvendo. O início deste novo ciclo de progresso começou com a concretização da Linha Amarela. É possível observar o surgimento de construções de grandes condomínios e prédios de alto padrão, em maior parte nas ruas transversais à rua Dias da Cruz. A construção do Estádio João Havelange, no bairro vizinho do Engenho de Dentro, promete alavancar de vez o comércio local, que hoje apresenta sinais de recuperação após um período de decadência por conta da concorrência do Norte Shopping. Alvo de reclamação de seus moradores, as opções de lazer no bairro deixam a desejar.
(fonte: Wikipedia)

sábado, 12 de março de 2011

VIOLÊNCIA CONTRA A CRIANÇA E O ADOLESCENTE: TIPOS MAIS FREQUENTES E PAPEL DO ENFERMEIRO


RESUMO

A violência contra a criança e o adolescente representa, atualmente, um grave problema de saúde pública no mundo que sempre esteve presente nas sociedades, no entanto, só passou a ter representatividade no Brasil a partir da década de 80, quando foi instituído o Estatuto da Criança e do Adolescente e quando o governo instituiu a notificação compulsória destes agravos à saúde. Os tipos mais freqüentes de violência são: a negligência e as violências física, sexual e psicológica. A atuação do enfermeiro é fundamental no processo de identificação dos maus tratos, de conscientização do agressor, ensino de métodos alternativos de disciplina, notificação e, principalmente, na educação em saúde. O estudo é do tipo exploratório, fundamentado em pesquisas bibliográficas. Seu objetivo consiste em apontar os principais tipos de violência que acometem crianças e adolescentes, bem como tornar evidente o papel da enfermagem frente a essa realidade preocupante. Palavras-chave: violência contra a criança e o adolescente, violência doméstica, enfermagem.

INTRODUÇÃO
A violência contra crianças e adolescentes constitui um grave problema social presente em países desenvolvidos e em desenvolvimento (AZEVEDO, 2003 apud PIRES et al., 2005). Segundo Minayo (2003, apud COSTA et al., 2007) ela acompanha a trajetória da humanidade, manifestando-se de múltiplas formas, nos diferentes momentos históricos e sociais de acordo com os aspectos culturais.
No Brasil, assim como em outras partes do mundo, em diferentes culturas e classes sociais, independentes de sexo ou etnia, crianças e adolescentes são vítimas cotidianas da violência doméstica, sendo este um fenômeno universal e endêmico (DAY et al, 2003). De acordo com o Centro Latino Americano de Estudos de Violência e Saúde (CLAVES), a violência contra crianças e adolescentes constitui hoje a primeira causa de morte na faixa etária de 5 a 19 anos e a segunda causa de morte entre as crianças de 1 a 4 anos (PIRES et al., 2005).
Os atos violentos às crianças e adolescentes acontecem, em sua maioria, no âmbito familiar, o que foi conceituado por Azevedo e Guerra (2001) como:
toda ação ou omissão que prejudique o bem-estar, a integridade física, psicológica ou a liberdade e o direito ao pleno desenvolvimento de um membro da família. Pode ser cometida dentro e fora de casa, por qualquer integrante da família que esteja em relação de poder com a pessoa agredida. Inclui também as pessoas que estão exercendo a função de pai ou mãe, mesmo sem laços de sangue (DAY et al.,2003, p. 10).
No entanto, em termos práticos diz-se que o tipo mais comum de violência, levando-se em conta o tipo e agressor, é a doméstica, pois além dos familiares, engloba os empregados, agregados e visitantes esporádicos do domicílio.
Segundo Minayo e Souza (1999 apud PIRES et al, 2005 p.1) "até bem pouco tempo [...] o setor saúde olhou para o fenômeno da violência como mero expectador, um contador de eventos e um reparador dos estragos provocados pelos conflitos sociais". Somente a partir da década de 60, entretanto, a atuação da área de saúde começou a mudar, quando a Academia Americana de Pediatria, em 1961, reconheceu a síndrome da criança maltratada.
No Brasil, foi somente a partir da década de 80 que a violência e os maus tratos contra as crianças e adolescentes passaram a receber mais atenção. De acordo com Brito et al. (2005) foi nesta década que começou a surgir os primeiros programas específicos para atendimento desta problemática, prevista no artigo 87, inciso III, lei 8.069/90- Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O Ministério da Saúde publicou, no Diário Oficial da União, a portaria 1968, de 25 de outubro de 2001, que estabeleceu a obrigatoriedade da Notificação Compulsória para os profissionais dos estabelecimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) (BRITO et al., 2003). Os casos registrados em todo o país, em delegacias, conselhos tutelares, hospitais e institutos médico legais são apenas um alerta: não revelam a verdadeira dimensão do problema (AZEVEDO, 2001 apud DAY et al., 2003) e, portanto, existe carência de estatísticas oficiais no Brasil sobre a violência praticada contra crianças e adolescentes (AZEVEDO, 2003 apud PIRES et al., 2005).
Embora a notificação de suspeita de maus-tratos contra crianças e adolescentes seja legalmente obrigatória, estima-se que entre 10 a 20 casos deixam de ser registrados para cada notificação realizada (PASCOLAT, 2001 apud PIRES et al., 2005). Segundo Gonçalves (2002 apud PIRES et al., 2005) ocorre dificuldade para identificação dos casos, por falta de informações básicas que permitam o diagnóstico, sendo esta um dos principais responsáveis pela subnotificação da violência ou maus tratos contra crianças e adolescentes.
As dificuldades de análise das fichas de notificação decorrem de problemas como: identificação incorreta e incompleta, letra ilegível, desconhecimento da ficha, classificação incorreta do tipo de maus tratos, entre outros (PIRES et al., 2005).
Os maus tratos contra crianças e adolescentes devem ser obrigatoriamente notificados e estão classificados em quatro categorias: negligência e abandono, sevícias ou abuso físico, abuso sexual e abuso psicológico (PIRES et al., 2005). Segundo Gomes (2006), os tipos de agressões não são excludentes, podendo a mesma vítima ter sofrido uma ou mais formas de agressão.
O objetivo do presente estudo é apresentar de forma sucinta os principais tipos de violência que são praticados contra as crianças e adolescentes, chamando atenção para as possíveis conseqüências de tais atos, bem como para o papel do enfermeiro frente à realidade da violência e sua importância no processo de educação em saúde, no reconhecimento dos maus tratos e na notificação.

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo bibliográfico de natureza exploratória que identifica e analisa as principais formas de violência cometidas com crianças e adolescentes. Foi realizado um levantamento bibliográfico, no período de 1994 a 2007, por meio do banco de dados SCIELO (Scientific Eletronic Library Online), livros e artigos de revistas confiáveis de universidades brasileiras. Os descritores para o levantamento de artigos foram: violência/agressão à criança/adolescente, violência doméstica, violência intrafamiliar, enfermagem.
A seleção dos artigos se deu por meio da leitura do título e resumo daqueles levantados nas bases de dados. Foram, então, excluídos os artigos que na leitura do resumo não apresentaram relação com o tema em questão. Para o estudo, foram selecionadas 12 fontes, sendo 11 artigos científicos e 1 extraído de livro.
Os artigos selecionados foram inicialmente categorizados segundo o tipo de violência abordada. Em uma análise posterior, foram identificadas e analisadas as formas de violência, bem como o papel do enfermeiro, presentes nos artigos selecionados.

OS TIPOS DE VIOLÊNCIA

Negligência

É definida por Souza, Florio e Kawamoto (2001) como a omissão em termos de cuidados básicos, por parte do responsável pela criança ou adolescente, que, a depender da intensidade, pode acarretar danos físicos, emocionais, psicológicos e até morte.Pode ser identificada em situações em que a criança ou o adolescente não é adequadamente alimentado, veste-se mal, apresenta higiene precária, não recebe atenção, carinho, ou também quando a criança é deixada sozinha, correndo o risco de acidentar-se.
O abandono é apontado por Costa et al. (2007) como o tipo mais grave de negligência familiar, constituindo, portanto, um importante problema social. Isso se deve ao fato de que crianças e adolescentes são ainda imaturos para enfrentar, sem auxílio dos pais, os entraves impostos pelo ambiente. As conseqüências deste abuso são, de acordo com Souza, Florio e Kawamoto (2001), danos físicos, psicológicos e emocionais, que podem ser revertidos ou marcar a criança e o adolescente permanentemente.
Diagnosticar este tipo de violência é, algumas vezes, uma tarefa difícil, pelo fato de que nem sempre é possível diferenciar a negligência causada por atos omissivos dos agressores, daquela ocasionada pela condição socioeconômica desfavorável das famílias (GOMES et al., 2002).
Um estudo realizado em Conselhos Tutelares de Feira de Santana, Bahia, nos anos de 2003 e 2004, estimou a prevalência das diferentes formas de violência contra crianças e adolescentes. De acordo com os registros foram denunciados 1.293 casos, dentre os quais a negligência apresentou o maior número (727), seguida pela violência física (455), psicológica (374) e sexual (68). A omissão de cuidados foi o tipo de negligência mais freqüente, chegando a 60,2% em crianças na faixa de até um ano. Em seguida, está o abandono, atingindo até 50% nas faixas acima de 10 anos de idade (COSTA et al., 2007).
Violência Física
É um dos tipos de violência contra a criança mais relevante, não apenas por acarretar conseqüências graves, mas em decorrência da sua aceitação pela sociedade (DAVOLI et al., 1994).O estudo desse tema, no entanto, é mais profundo do que a mera discussão desta prática como útil ou aceitável.
Souza, Florio e Kawamoto (2001, p.17) definem a violência física doméstica como "dano físico não acidental provocado pelos atos de omissões dos pais ou responsáveis que quebram os padrões de cuidados com a criança, determinados pela comunidade". Como pode-se observar, esse conceito ainda é produzido pela valorização dos aspectos culturais, que acaba por determinar o limite entre disciplina e violência. Sendo assim, cabe à ciência, conforme apontado por Davoli et al. (1994), o estabelecimento de uma definição mais precisa acerca deste problema que acomete crianças e adolescente de todo o mundo.
Em muitos países, a punição física como método disciplinatório é prevista por lei, sendo estabelecida não só como aceitável, mas como necessária à educação (ZOTTIS, ALGERI, PORTELLA, 2006).
No Brasil essa prática é muito comum, sendo transmitida de geração a geração.Ainda que sociedade brasileira admita o emprego força física, são considerados abusivos quando em crianças menores de 12 meses. A "síndrome do bebê sacudido" que acomete crianças menores de seis meses ao sofrerem fortes sacudidas na cabeça, e a "síndrome da criança espancada", são muito comuns e podem acarretar conseqüências graves. Na adolescência, a agressão física costuma relacionar-se à necessidade dos pais em conter as mudanças de comportamento comuns nessa fase (COSTA et al., 2007).
As lesões corporais sofridas podem estar relacionadas a queimaduras, equimoses, hematomas, contusões, fraturas, ruptura de órgãos, entre outras. As conseqüências variam de marcas temporárias a cicatrizes permanentes e deformidades, podendo chegar até à morte (SOUZA, FLORIO, KAWAMOTO, 2001).
No estudo realizado em Feira de Santana, a violência física apresentou-se como o segundo tipo mais freqüente, sendo o espancamento o tipo de agressão mais encontrado, com prevalência que variou de 78% a 94%, a depender da faixa etária. Os outros casos foram de supressão alimentar, queimaduras, fraturas, afogamento, ferimento por arma branca e envenenamento (COSTA et al., 2007).
Costa et al. (2007) aponta que o espancamento pode, a curto prazo, causar incapacidades físicas, mentais e podendo culminar em óbito. A longo prazo, é apontado com agente causador de comportamentos violentos, ao passo que as vítimas assumem a posição de agressores, perpetuando, assim, a violência às gerações seguintes.
Violência Psicológica
A violência psicológica cometida contra a criança e o adolescente manifesta-se como um grande sofrimento mental provocado por um adulto (OLIVEIRA, 2001). Seu estudo é pouco explorado no Brasil, sendo escassos os trabalhos já realizados. Entretanto, a compreensão e discussão de seus aspectos são relevantes, visto que, segundo Avanci e Assis (2004), os indivíduos em fase de desenvolvimento que sofrem esse tipo de agressão mental podem ter conseqüências negativas graves em sua estrutura mental.
As autoras citadas acima colocam ainda que esse tipo de violência pode ser praticada a partir da agressão verbal, do isolamento do convívio com outras pessoas, do ato de ignorar e/ou rejeitar o individuo. Segundo elas, o adulto pode levar a criança ou o adolescente a um comportamento anti-social. Oliveira (2001), acrescenta que a violência psicológica pode levar o indivíduo a ter uma auto-imagem negativa.
Para Alves (1994), somos afetados pelas experiências que vivenciamos a partir do nosso convívio social, sendo as palavras que ouvimos um agente transformador. Para ele, as palavras exercem grande poder na determinação do que somos, o que demonstra a influência negativa que as palavras depreciativas podem exercer sobre o indivíduo.
Outra conduta adotada por quem pratica esse tipo de violência é a imposição do silêncio às vítimas. Essas não podem expressar-se enquanto são agredidas, ou mesmo depois da agressão, como foi constatado num estudo realizado por Oliveira (2001), que demonstrou que as vítimas tiveram de manter-se caladas frente à violência que sofreram. Delas foi tirado o direito de protestar e até mesmo de serem ouvidas por outro membro da família no momento da dor. Tal atitude pode ser fruto de uma relação baseada num padrão assimétrico-hierárquico, normalmente aceito socialmente nas relações entre as crianças e os adultos.

No estudo realizado em Feira de Santana, a violência psicológica ficou em terceiro lugar, correspondendo a 35,2% dos casos registrados. Manifestada principalmente sobre a forma de "amedrontamento", seguido de casos de humilhação pública ou privada e ameaça de morte (COSTA et al., 2007). Esse elevado índice demonstra a importância da ampliação da discussão do tema pela sociedade. A violência  psicológica traz conseqüências que não são percebidas facilmente, pois não trazem marcas físicas, ficando a princípio restrita ao nível mental e psicológico, o que dificulta a sua detecção precoce, bem como a sua notificação (AVANCI, ASSIS, 2004).

Violência Sexual

Constitui-se em um grave problema de saúde pública que afeta crianças e adolescentes de todo o mundo. É caracterizada por Souza, Florio e Kawamoto (2001) como uma interação entre a vítima e o agressor com o objetivo de atender desejos sexuais, fazendo, para tanto, uso do corpo da criança/adolescente. O ato pode ser físico-genital, orogenital, anal, ou até mesmo sem contato físico, como acontece no exibicionismo.
Quando há contato físico, este tipo de violência pode ser facilmente diagnosticada pelo exame médico-legal. No entanto, o voyeurismo, a manipulação dos órgãos sexuais ou a corrupção de menores não possuem substrato médico-legal, dificultando a identificação de um caso de agressão, uma vez que faltam provas que comprovem tal ato (ADED, DALCIN, CAVALCANTI 2007).
Outros fatores que podem ser apontados como barreiras à notificação dos casos são o medo de denunciar, a incredibilidade do sistema legal, e o silêncio da vítima por diversos motivos, tais como o constrangimento e o receio da humilhação. No Brasil estima-se que menos de 10% dos casos chegam às delegacias (FAÚNDES, 1998 apud RIBEIRO, FERRIANI, REIS, 2004).
Souza, Florio e Kawamoto (2001) afirmam que a criança abusada é considerada uma vítima em potencial, devido às suas características peculiares, como a inocência, a confiança nos adultos, a fragilidade física e a incapacidade de decidir se deve ou não consentir o ato. Os autores apontam, ainda, as conseqüências que afetam crianças e adolescentes, em decorrência do abuso sexual. A curto prazo, pode ocasionar distúrbios do sono, problemas escolares, interesse sexual precoce, alteração do humor, ansiedade e dor psicossomáticas, e a longo prazo é comum a criança se prostituir, apresentar distúrbios psicológicos e psicossomáticos, uso de drogas, depressão, baixa auto-estima, tentativa de suicídio, dificuldade para o ato sexual e homossexualismo.
Além dos danos físicos, emocionais e psicológicos, a vítima é, ainda, exposta aos riscos de adquirir uma doença sexualmente transmissível, ou uma gravidez indesejada (RIBEIRO, FERRIANI, REIS, 2004).
No estudo realizado em Feira de Santana, a violência sexual apresentou um tímido percentual de denúncias, totalizando 5,2% do número de casos registrados. Dentre esses, 23,8% foram realizados por familiares e 29% não possuía registro do agressor. Contudo, conforme apontam os pesquisadores, essa prevalência reflete, na verdade, o alto índice de subnotificação dos casos de violência sexual, fazendo com que a real prevalência desse abuso seja pouco conhecida (COSTA et al., 2007).
O problema da subnotificação é potencializado pelo fato de que grande parte dos casos ocorrerem em âmbito familiar, longe dos olhos de quem possa impedi-los, proporcionando, assim, um ambiente propício para o agressor cometer as suas atrocidades.
VIOLÊNCIA CONTRA A CRIANÇA E O ADOLESCENTE E A ENFERMAGEM
Diante da realidade, cada vez mais presente, da violência intrafamilar, percebe-se uma necessidade em analisar o papel exercido pelo profissional de enfermagem na contribuição para a mudança desse quadro que constitui-se em um grave problema de saúde pública, vitimizando crianças e adolescentes.
É tarefa essencial do enfermeiro trabalhar para a educação das famílias em todas as oportunidades possíveis, a fim de propagar a idéia de proteção aos direitos da criança e do adolescente (ALGESI, SOUZA, 2006). Profissionais de enfermagem conscientes de sua função precisam orientar os pais, fornecendo alternativas e estimulando-os a utilizarem outros métodos disciplinatórios, bem como conscientizando-os acerca das conseqüências dos diversos tipos de violência e educando-os para a saúde.
De acordo com Zottis, Algeri e Portella (2006), o enfermeiro precisa estar apto a reconhecer uma vítima de maus-tratos e consciente de que optar pela omissão pode significar uma opção pela violência. Os autores comentam que a inadequação do tratamento dos casos notificados, devido à falta de capacitação do profissional de saúde em lidar com esse fenômeno, acaba por acarretar a violência institucional.
O ECA, em seu artigo 245, responsabiliza o profissional de saúde em notificar os casos de violência, reais ou suspeito cometidos contra a criança e o adolescente, independente dos valores e crenças do profissional (ZOTTIS, ALGERI, PORTELLA, 2006).
Para diagnosticar eficientemente casos de violência intrafamiliar, torna-se necessária a inclusão, durante as consultas de enfermagem, de perguntas que abordem tal tema (ALGESI, SOUZA, 2006). Com o intuito de facilitar o diagnóstico de agressão, Pascolat (2000) levanta questionamentos que devem ser feitos aos pais e que abordam questões relativas aos sentimentos destes em relação a seus filhos, problemas da criança e forma como os pais lidam com os mesmos, envolvimento dos pais na assistência, mudanças recentes na família, entre outros. Alem disso, o autor salienta a importância da observação direta, bem como da anamnese, exame físico profundo e cuidadoso.
A abordagem da violência doméstica requer uma equipe multiprofissional para a avaliação, diagnóstico e tratamento, cabendo ao profissional de enfermagem o desenvolvimento de grupos de auto-ajuda e oficinas, por meio dos quais torna-se possível divulgar a ideologia de proteção integral à criança (ALGESI, SOUZA, 2006).
Zottis, Algeri e Portella (2006), apontam que o cuidado prestado às crianças e adolescentes vítima de violência deve incluir, obrigatoriamente, a assistência à família, já que o simples afastamento do agressor não é suficiente. Algesi e Souza (2006), ressaltam, também, a importância do enfermeiro de organizar grupos de pesquisas por meio dos quais pode-se estudar mais profundamente essa problemática, bem como as possibilidades de atenuá-la. Além disso, deve envolver-se firmemente na melhoria da qualidade dos serviços de saúde, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e solidária e resgatando o papel social do enfermeiro.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A violência é um problema complexo, com múltiplas causas e com conseqüências extremamente devastadoras para as crianças e adolescentes vítimas de tais agressões. Os tipos de agressões não são excludentes e, portanto, uma mesma vítima sofrer mais de um tipo de violência simultaneamente.
No Brasil, o tema passou despercebido por séculos e só começou a ter relevância no meio científico e na sociedade à aproximadamente três décadas com a instituição do Estatuto da Criança e do Adolescente que assegurava diretos especiais e proteção integral às crianças e adolescentes. Foi instituída também a notificação compulsória dos maus tratos, no entanto, observa-se que esta não é praticada devido a falta de envolvimento dos profissionais de saúde e das instituições que prestam assistência a essa clientela, o que prejudica a obtenção de dados oficiais, representativos e significantes da realidade necessários para evidenciar o problema e para o desenvolvimento de políticas públicas.
Os principais agressores estão no âmbito familiar da vítima, mas em termos de conceitos considera-se como mais freqüente a violência doméstica, devido a maior amplitude do termo que envolve os empregados, agregados e visitantes esporádicos aos familiares.
Cabe ao enfermeiro, independente da sua área de atuação, tentar reconhecer uma vítima de maus-tratos nos atendimentos e conscientizar os demais membros da equipe de assistência à criança ou adolescente, utilizando-se do princípio de que a omissão pode representar uma opção pela violência. Constitui também como uma função, a prestação de informações e educação em saúde ás famílias.


quarta-feira, 9 de março de 2011

Niterói - Bens Tombados

Tombamento é um conjunto de ações realizadas pelo poder público com o objetivo de preservar, através da aplicação de legislação específica, bens móveis ou imóveis de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e também de valor afetivo para a população, impedindo que venham a ser destruídos ou descaracterizados, contribuindo, dessa forma, para o reforço da identidade local.

O termo "tombamento" é uma herança lingüística portuguesa e se refere à torre de Tombo, em Portugal, onde são guardados até hoje livros e documentos da história daquele país, e muitos referentes à História do Brasil. Neste contexto, o verbo tombar tem o sentido específico de registrar, inventariar bens, que eram inscritos em livros guardados na Torre do Tombo, onde fica o Arquivo Nacional Português.

O tombamento não implica, necessariamente, na desapropriação, não havendo qualquer impedimento para a venda, aluguel ou herança de um bem tombado. O que se procura preservar são as características do bem, impedindo sua destruição ou descaracterização. Como visa ao reforço da identidade através da preservação da memória, uma das preocupações do tombamento é com a visibilidade do bem tombado. Assim, no caso de bens imóveis, procura-se delimitar uma área de entorno do imóvel tombado, para impedir a construção de novas edificações que impeçam a sua visibilidade.

Um bem pode ser tombado pela União, através do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), pelo Estado, por intermédio do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Cultural do Rio de Janeiro (INEPAC), ou pelo Município, através da Secretaria Municipal de Cultura. Em Niterói, o tombamento está regulamentado na Lei n.º 827de 25 de junho de 1990.

Relação dos bens tombados no Municípío de Niterói:
ARQUITETURA RELIGIOSA
ARQUITETURA INSTITUCIONAL
ARQUITETURA CIVIL RESIDENCIAL
ARQUITETURA DE FUNÇÃO PÚBLICA
GALPÕES E OFICINAS
PAISAGENS - NATURAL E URBANA
BENS MÓVEIS

RUÍNAS DA ANTIGA CAPELA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO



RUÍNAS DA ANTIGA CAPELA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO


Estrada do Itacoatiara, n°. 110.

As ruínas existentes no interior do condomínio Ubá-Itacoatiara são o remanescente da Capela e Cemitério de Nossa Senhora da Conceição. Edificada em alvenaria de pedra e cal, teria uma planta tradicional de nave única e indícios de capela-mor pouco profunda. Ainda é possível identificarmos parte do seu arco-cruzeiro. 

A provável construção destas edificações data do período compreendido entre os anos de 1861 e 1900, fato que pode ser comprovado nos relatórios dos "visitadores pastorais" que, em suas andanças pelas freguesias, registravam as edificações eclesiásticas da região. 

Os registros históricos demonstram que as ruínas da capela e cemitério pertenciam à Irmandade Nossa Senhora da Conceição, instituição responsável por erigir as edificações, em fins do século XIX. A construção se deu nas terras da Família Brum, que provavelmente ganhou ou comprou este espaço do maior proprietário de terra da região, Sr. José Albino da Costa.

A construção destes bens provavelmente foi pensada num momento em que começaram a surgir os cemitérios públicos, uma vez que, em 1855, foi proibido o uso de Igrejas e Capelas para o sepultamento dos mortos, costume comum até aquela data. Neste sentido, o Cemitério-Capela de Nossa Senhora da Conceição, faz parte de um contexto em que os moradores locais, impedidos de continuarem enterrando seus mortos na Paróquia de São Sebastião, resolveram constituir uma irmandade, a fim de terem permissão para construir um cemitério.

As lembranças dos velórios, das quermesses e das ladainhas trazem à tona personagens como José Brum e Francisco das Chagas Teles. Este último era um pequeno fazendeiro com estabelecimento na freguesia que ocupava a função de "administrador" do cemitério-capela, até a sua morte em 1934. Nessa ocasião, as condições econômicas da Irmandade, bem como as condições físicas do cemitério-capela encontravam-se bastante precárias. O falecimento de Francisco das Chagas Teles, juntamente com o surgimento de uma nova Capela de Nossa senhora da Conceição, em 1936, a cerca de 100 metros da antiga capela, consolidam o fim daquela Irmandade.

Em 1993, tendo em vista o grande valor histórico e ambiental, a Prefeitura Municipal tombou os remanescentes da capela através da lei n°. 1506 de 20 de outubro.

Retirado do livro "Niterói Patrimônio Cultural", editado pela SMC/Niterói Livros em 2000.

Praia de Itaipú, s/nº- Itaipú.


Poucos dados se tem sobre o prédio. Sabe-se que, nos idos de 1716, havia apenas uma capela, que teve como primeiro vigário o padre Manuel Francisco da Costa. Mais tarde, com a ajuda do padre Manuel da Rocha, o vigário fundou o Recolhimento de Santa Tereza, só para mulheres. Tal acomodação tinha por objeto acomodar mulheres que procurassem o retiro ou que por alguma circunstância fossem obrigadas a habitá-lo, como castigo de culpas ou ainda como "cinto de castidade" da época colonial, onde os fazendeiros deixavam mulheres e filhas quando fazer longas viagens.

Consta que as primeiras habitantes chegaram em 17 de junho de 1764. Em 1799, havia 13 recolhidas, além 13 mulheres casadas, segundo um relatório de visitadores. Ainda de acordo com visitadores, em 1812 ainda existiam mulheres no estabelecimento, mas, num estado de muita pobreza.

Em maio de 1883, com o prédio já vazio, o vigário João de Moraes e Silva instituiu naquela área um asilo para menores, o qual durou pouco tempo. Abandonado, o local passou a servir de moradia para os pescadores da região, os quais construíram várias pequenas habitações no interior de suas ruínas. A capela do recolhimento chegou as ser, inclusive, utilizada como cadeia.

Hoje, seus remanescentes constituem-se das ruínas do recolhimento, capela e um cômodo. Construído em alvenaria de pedra, com argamassa composta de conchas trituradas, areia e argila, a edificação possui janelas e portas com cercadura de cantaria. No portal simples de entrada pode ser observada uma inscrição quase ilegível, a qual data o prédio em 1785. Por ele se chega a um pátio interno, de onde se avista a pequena capela restaurada.

Quando em 1943, o prédio foi tombado, o corpo principal da construção mantinha-se intacto; no entanto, a argamassa da construção original encontrava-se em processo de deterioração. Sua preservação requereu um custoso processo de restauração, tendo sido a primeira etapa concluída em 1974.

Desde março de 1977, o corpo restaurado passou a brigar o Museu de Arqueologia, devido à sua proximidade com o sítio arqueológico da Duna Grande. O acervo do museu se constitui de matéria de superfície, coletado na Duna Grande e, também, de materiais recolhidos na faixa litorânea de Itaipu e Cabo Frio que mostram aspectos da pré-história do litoral do Rio de Janeiro, além de uma exposição sobre a arqueologia no Brasil.

Tendo em vista o seu inegável valor histórico e arquitetônico, o Instituto de Patrimônio e Histórico e Artístico Nacional - IPHAN- tombou as ruínas, em 8 de janeiro de 1955, através do processo nº365-T, inscrição 425, folha 80, do Livro das Belas Artes.

Retirado do livro "Niterói Patrimônio Cultural", editado pela SMC/Niterói Livros em 2000.

domingo, 6 de março de 2011

CASO DA PROCURADORA DE VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇA QUE ESTAVA EM FASE DE ADOÇÃO

Testemunha vincula a violência de procuradora contra a criança a práticas de uma seita satânica.


RIO - O Ministério Público estadual denunciou por tortura e pediu a prisão preventiva da procuradora aposentada Vera Lucia de Sant'Anna Gomes, de 66 anos, acusada de agredir uma menina de apenas 2 anos e 10 meses que estava sob sua guarda provisória. Segundo os promotores, entre os dias 17 de março e 14 de abril deste ano Vera Lucia, voluntariamente, submeteu a criança "a intenso sofrimento físico e mental, agredindo-lhe de forma reiterada, como forma de aplicar-lhe castigo pessoal". A mulher também é acusada de racismo depois de denúncia de duas ex-empregadas domésticas. A Justiça vai decidir se decreta ou não a prisão da procuradora.


Testemunha vincula violência a práticas de seita satânica
Na denúncia encaminhada pelo MP à 32 Vara Criminal da capital, os promotores citam o depoimento de uma testemunha, considerado um relato assustador. A mulher vincula a violência contra a criança a práticas de uma seita satânica. Ela diz ainda acreditar que a menina seria oferecida como um sacrifício a esta seita. Fotos anexadas à denúncia do MP mostram a criança com olhos roxos e inchados.
Aos prantos, menina do caso da procuradora não pôde ser atendidaAos prantos, menina do caso da procuradora não pôde ser atendida (Foto: Marcelo Piu / Ag. O Globo)
Ainda de acordo com o MP, "assim que a menina chegou à residência (de Vera Lucia, em Ipanema), passou a ser alvo diário de incontáveis atos de violência, que ocorriam várias vezes ao dia, tudo sempre presenciado pelos empregados da casa".


Os promotores Homero das Neves Freitas Filho, Márcio José Nobre de Almeida, Marisa Paiva, Claudia Canto Condack e Alexandre Murilo Graça justificaram o pedido de prisão preventiva pela revolta social causada pelos indícios contra Vera Lucia. Além disso, consta nos autos referência à guarda irregular de outro menor deixado pelos pais aos cuidados da procuradora aposentada, e por eles retomado em virtude de maus- tratos. Os promotores também alegaram que, devido à condição econômica da acusada, ela poderia fugir se mantida em liberdade.


O Conselho Tutelar retirou a menina da casa da procuradora e a levou para um abrigo, onde chegou em estado de choque. A avaliação psicológica da criança, que começou nesta terça-feira, precisou ser interrompida. De acordo com o psicólogo, Gilberto Fernandes da Silva, da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), a menina evitou qualquer contato com estranhos, chorou muito, e não quis sair de perto das pessoas conhecidas do abrigo onde está.


Ela me evitou completamente, chorava muito, ficou de costas e não tem a menor condição de fazer algum contato
- Ela me evitou completamente, chorava muito, ficou de costas e não tem a menor condição de fazer algum contato nesse sentido. É preciso respeitar os limites dela. A única coisa que ela aceitou foi uma escova de pentear cabelos - contou Gilberto, que só conseguiu ficar cerca de 10 minutos com a criança.


O psicólogo ainda não sabe se vai chamar a criança para outra avaliação. E cogita a possibilidade de ela ser ouvida no próprio abrigo, considerado um ambiente mais familiar, onde a menina se sinta mais segura.


O Globo

Polícia aguarda dados da quebra de sigilo telefônico de Luciene


Rio - O delegado da 60ª DP (Campos Elíseos), Luciano Zahar, espera, para esta sexta-feira, os dados provenientes da quebra de siglo telefônico de Luciene Reis, 24 anos, assassina confessa da menina Lavínia Azeredo de Oliveira, seis anos. Segundo a polícia, os dados poderão ajudar a responder como a menina foi levada da casa e se houve ajuda de terceiros no sequestro da criança.

Avô acredita na participação de outra pessoaO avô de Lavínia, Adão do Carmo de Oliveira, afirmou nesta quinta-feira acreditar que a assassina, Luciene Reis Santana, teve a ajuda de pelo menos uma pessoa para tirar a menina de casa na madrugada de segunda-feira.
A menina Lavínia, de 6 anos, foi tirada da casa da família por Luciene e levada para o Hotel Municipal, localizado no Centro de Duque de Caxias, onde foi morta por asfixia mecânica. O corpo foi encontrado dois dias depois sob a cama de um dos apartamentos com um cardarço enrolado no pescoço e uma toalha branca no rosto.

"Para ela (Luciene) chegar ao quarto da Lavínia ela precisaria da ajuda de alguém. Ela precisaria subir dois lances de escada que fica na parte interna da casa", disse Adão ao programa 'Mais Você', da TV Globo.
A avó de Lavínia, Marta do Carmo, concorda. 'Ela (Luciene) nunca tinha entrado lá (na casa da família), então como ela pôde ir lá no quarto da Lavínia direto assim", afirmou a mulher.
A afirmação dos avôs paternos de Lavínia corrobora com o depoimento prestado por Neide Reis, mãe de Luciene, durante a noite de quinta-feira na 60ª DP (Campos Elíseos). Segundo a mulher, a assassina teria dito que contou com o auxílio de uma pessoa para tirar Lavínia de casa. O nome do cúmplice, no entanto, não foi revelado pela Polícia Civil.

Elogios à mãe de LavíniaO avô de Lavínia afirmou também que não sabia do relacionamento do filho com Luciene, vindo ser comunicado no dia do desaparecimento da neta por vizinhos. "Eu não sabia do relacionamento. No dia em que a Lavínia foi sequestrada, um vizinho me disse para ir procurá-la na casa da Luciene. Quando ela me viu disse que não me conhecia, mas que sabia que eu era o pai do Rony", afirmou.
Muito abatido e com dificuldades para falar, Adão do Carmo fez diversos elogios a Andréia, Mãe de Lavínia, pela força e determinação no caso do desaparecimento e morte da filha. "Andréia me ajudou muito. Ela teve muita força emocional", disse ele, antes de chorar.

Sepultamento sob forte emoção
O corpo da menina foi sepultado na manhã desta quinta-feira sob aplausos, músicas religiosas e muita emoção de aproximadamente 400 familiares e amigos no cemitério Corte 8, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Muitos cartazes e flores foram colocados próximo ao local do sepultamento como forma de homenagem a Lavínia. A cerimônia ainda contou com a presença da professora, dos alunos e amigos de classe da menina, que foram dispensados das aulas nesta quinta-feira e vestiam camisas pretas. De acordo com o professora, as crianças preparavam uma festa para a menina, pois acreditavam em seu retorno.
Muito abalado, o pai de Lavínia, Rony dos Santos Oliveira, chegou ao cemitério amparado por amigos e não passou bem. Ele ainda tentou permanecer no local, mas foi retirado em decorrência de seu estado de saúde. A mãe da menina, Andréia Azeredo, ainda chegou a consolá-lo.