domingo, 14 de novembro de 2010

Reforma Gregoriana

    Por Antonio Gasparetto Junior


A Reforma Gregoriana estabeleceu o poder dos papas sobre o poder temporal, dos reis. Em decorrência da reforma, todos os homens ficaram submissos ao papa, o qual tinha o poder sobre qualquer ser vivente representando a palavra de Deus. Os papas passavam a ser inferiores apenas ao próprio Deus. A Igreja Católica ganhava então um poder ilimitado. A Reforma Gregoriana é considerada ainda a primeira grande revolução européia por conta do enfrentamento gerado contra o poder temporal.

Papa Gregório I
A Reforma Gregoriana tem sua autoria em São Gregório Magno I, foi ele que apresentou as formulações iniciais que criariam a infalibilidade papal e a supremacia da Igreja Católica. As medidas propostas por Gregório Magno começaram a ser implementadas sob o papado de Leão IX entre os anos de 1049 e 1054. Neste momento um jovem diácono chamado Hildebrando da Toscãnia despontava dentre a cristandade, tornando-se uma figura muito evidente no papado. Hildebrando conquistou muita visibilidade por conta de sua defesa pelos elementos da reforma na Igreja e da natureza do poder atribuído ao papa, tanto que quando se tornou papa Gregório VII entre 1073 e 1085 foi identificado erroneamente como o autor da Reforma Gregoriana.

O objetivo da Reforma Gregoriana era fazer com que a Igreja e a cristandade voltassem aos tempos de Cristo, época primitiva do cristianismo  marcada pelos Apóstolos. Mas por outro lado os fins da reforma visavam estabelecer o poder do papa sobre o poder feudal. A evolução da Idade Média havia feito com que o poder dos senhores feudais crescesse e praticamente comandassem a Igreja, a proposta de voltar aos tempos de Cristo era um artifício para acabar com esse controle da Igreja.

A Abadia de Cluny é identificada como responsável pela continuação e consolidação da reforma no mundo cristão. O discurso reformista condenava as práticas de heresia, as quais eram identificadas pela introdução dos costumes pagãos dos germânicos no mundo dos cristãos romanos. As práticas de heresia mais combatidas eram a simonia e o nicolaísmo.

Para abolir as práticas de heresia era preciso proceder a reforma na Igreja, a qual teria como resultado final a confirmação do poder máximo atribuído aos papas. A Reforma Gregoriana é um marco na teocracia papal, define os papas como chefes supremos da Igreja e de palavra incontestável entre os cristãos.

Na ocasião da coroação do rei Pepino, o Breve foi elaborado um documento, provavelmente forjado, que declarava a doação de Constantino das terras do Império Romano ao papa. Essa situação favoreceu ainda mais para que o papa expandisse seus poderes sobre os reis também, subjugando toda a Europa e toda a cristandade.

Nos anos da origem da Reforma Gregoriana, a Igreja Católica enfrentava ainda outro problema. Trata-se do embate entre a Igreja de Roma e a Igreja de Constantinopla, o patriarca desta resolveu proibir a manifestação das Igrejas Latinas no Oriente e causou uma enorme confusão dentro da Igreja Católica. Ressentidos pelo fato da sede da Igreja Católica ser em Roma e insatisfeitos com o amplo poder do papa de Roma que comandava inclusive os reis, criou-se um conflito entre os cristão do Ocidente e do Oriente que culminou com a excomunhão mútua. Esse evento é chamado de Cisma do Oriente.

A Cisma do Oriente serviu no Ocidente para estourar o confronto entre um imperador e o papa, caso do Imperador do Sacro Império Romano-Germânico que enfrentou o papa em defesa do poder político na Europa. Mesmo que os efeitos da Reforma Gregoriana tenham durado por algum tempo e o papa tenha realmente adquirido o poder máximo na Europa, o confronto ao longo dos séculos entre o poder temporal e o poder espiritual culminou com a vitória dos reis.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Reforma_gregoriana

VATICANO

A Cidade do Vaticano, publicamente denominada Estado da Cidade do Vaticano, é o núcleo oficial da Igreja Católica, o menor país do globo, localizado no interior de outra nação, a Itália, próxima à capital, Roma. Ela constitui uma cidade-estado autônoma, desprovida de águas costeiras, e perfaz somente 0,44km², o que corresponde a um vasto quarteirão.
Neste centro da Igreja encontra-se o papa, líder máximo do catolicismo e também desta circunscrição estatal, que abriga cerca de 800 moradores. A autoridade maior do Vaticano está centrada na Santa Sé, alçada eclesiástica, esfera administrativa que estabelece a interação com as demais nações, e tem poderes para integrar acordos internacionais.
O idioma convencional do Vaticano é o italiano e o latim; este pequeno estado, apesar de sua dimensão, também conta com diplomatas ao longo do globo, bem como abriga embaixadas de outros países, particularmente em Roma. Esta cidade foi criada em 1929, diferentemente da Santa Sé, a qual é tão antiga quanto o próprio Cristianismo original. Ela constitui a mais importante sede episcopal, englobando 1,142 bilhões de católicos romanos em todo o Planeta.
Há algumas diferenças entre a Santa Sé e o Vaticano; os dois apresentam passaportes singulares; à primeira cabem os diplomáticos e os das funções utilitárias, e ao segundo estão reservados os passaportes comuns. Documentos que circulam pela sede episcopal são elaborados em latim, enquanto os da cidade-estado são produzidos no idioma italiano.
O Vaticano foi fundado através do Tratado de Latrão, um país original, não um remanescente dos antigos Estados Pontifícios, que anteriormente incluíam a região conhecida como Itália Central. Esta pequena nação é sacerdotal-monárquica, ou seja, gerida pelo bispo romano, o Papa, que reside no Palácio Apostólico desde a volta do papado a Roma, em 1377, pois temporariamente o poder papal estava concentrado na cidade de Avignon, localizada no Sul da França.



Antes desta mudança do papado para a França, os papas moravam no Palácio de Latrão, na região oposta de Roma, onde foi firmado o contrato que criou esta cidade-estado. Clérigos da Igreja Católica de diversas procedências raciais, étnicas e geográficas configuram a constelação de trabalhadores públicos que servem ao Vaticano.
A temperatura comum nesta cidade é a típica da região mediterrânea. Um grande número de peregrinos se dirige anualmente ao Vaticano para ter uma rápida visão do Papa; assim, o principal turismo neste local é o de natureza religiosa. Os pontos de maior visitação nesta cidade são a Praça de São Pedro e a Basílica, aí localizada.
Fontes:
http://www.vaticanotour.com.br/historia.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vaticano

TOMBAMENTO

tombamento consiste em uma intervenção branda do Estado na propriedade privada com o fim de preservar bens móveis, imóveis, corpóreos ou incorpóreos que detenham relevante valor histórico, científico, tecnológico, artístico, cultural, arquitetônico e ambiental para a população, conforme dispõe exemplificativamente o artigo 216 Constituição Federal e em seus incisos.
O proprietário do bem tombado deverá preservar e manter as características do mesmo, entretanto, não é vedada sua alienação, desde que o Poder Público seja devidamente notificado e exerça seu direito de preferência na compra do bem. Entretanto, as possíveis obras realizadas para a conservação do bem deverão ser previamente aprovadas pelo órgão que efetuou o tombamento. A aprovação está vinculada ao nível de conservação do bem.
A destruição, inutilização ou deterioração de bens tombados pela autoridade pública competente implica em crime previsto pelo artigo 165 do código Penal Brasileiro, punido com pena de seis meses a dois anos e multa.
Existem seis modalidades de tombamento, são eles: voluntário, compulsório, provisório, definitivo, geral e individual.
tombamento voluntário ocorre quando o proprietário do bem solicita seu tombamento, ou quando o mesmo concorda com tal procedimento sem oposição, quando notificado.
tombamento compulsório ocorre quando o órgão competente da administração Pública promove o tombamento contra a vontade de seu proprietário. Este, por sua vez, opõe-se judicialmente ao aludido procedimento administrativo.
No tombamento provisório, incidirão sobre o bem os efeitos do processo de tombamento antes mesmo do trânsito em julgado.
Quando o tombamento é definitivo, todos os efeitos já foram produzidos, chegando-se assim ao fim do processo de tombamento.
Na modalidade individual, o tombamento incide sobre apenas um bem, diferentemente da modalidade geral, que incide sobre uma universalidade de bens, como uma cidade, a título de exemplo.
Compete concorrente à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar sobre o tombamento, conforme disposição do artigo 24 da constituição Federal. Em relação à competência para a execução do tombamento, estão autorizados a União, Estados e Municípios.
No âmbito federal, o órgão competente para executar o tombamento é o Instituto Brasileiro do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN- Autarquia federal vinculada ao Ministério da Cultura). No âmbito estadual e municipal, a competência é atribuída ao órgão criado para essa função.
O tombamento não gera para o proprietário direito à indenização, pois o bem continua no domínio e na posse do proprietário. Este somente terá tal direito se houver dano no bem.
Fonte:
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo 14 ed. São Paulo: Atlas, 2002.
MELLO, Celso Antonio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 11. Ed. São Paulo: Malheiros, 1999

AS SETE MARAVILHAS DO MUNDO ANTIGO

Sete Maravilhas do Mundo Antigo

Por Caroline Faria

As 7 maravilhas do mundo antigo são monumentos construídos pelo homem durante a antiguidade e considerados únicos pela sua beleza ou arquitetura. Infelizmente, a única delas que inda existe é a Pirâmide de Gizé, no Egito. De todas as outras restaram apenas histórias ou algumas gravuras.
Na verdade, essa é uma classificação não oficial que tomou fama com o tempo e acabou permanecendo. Mas não existe consenso nem mesmo sobre quem teria escrito esta lista das maravilhas do mundo antigo. Alguns afirmam que foi Heródoto, um famoso historiador que viveu entre 484 a 425 a.C., outros, que foi Calímaco de Cirene, que teria elaborado a primeira lista no século 3 a.C, ou ainda, mas menos creditado, Filo de Bizâncio, engenheiro que teria elaborado a lista em 130 a.C..

- A mais famosa das 7 maravilhas da antiguidade é, sem dúvidas, a Pirâmide de Gizé. Uma, das 80 pirâmides que existem no Egito, ela foi escolhida provavelmente por ser a maior de todas, ocupando uma área de 2,2 hectares. Tendo sido criada entre os anos de 2589 a 2566 a.C. ela é a única das sete maravilhas que ainda existe.

- Os Jardins Suspensos da Babilônia são mais uma das maravilhas do mundo antigo, mas talvez sequer tenham existido. Dizem as histórias que os Jardins ficavam à beira do rio Eufrates, na região da Mesopotâmia (atual Iraque), e na verdade não eram suspensos: eram construídos em cima de uma grande construção de cerca de cinco andares.

Seu esplendor se constituía no fato de que a região da Mesopotâmia é extremamente árida, portanto, construir ali um jardim com árvores verdejantes sob as quais se podia caminhar, segundo escreveram Filo de Bizâncio e Diodorus Siculus, escritor da era clássica, era realmente um feito maravilhoso. Alguns alegam que eles teriam sido construído por Nabucodonossor, mas ainda não foi encontrado nenhum registro deste soberano que governou a Babilônia por muitos anos e que sempre narrava seus feitos utilizando a escrita cuneiforme dos babilônicos.

- O Templo de Ártemis, em Éfeso (atual Turquia), foi construído em 550 a.C. pelo rei Creso, da Lídia. O templo era todo sustentado por maravilhosas colunas de mármore em estilo jônico com estruturas em alto relevo e capitéis com rosetas, mas o seu maior esplendor era a estátua da deusa Ártemis (equivalente à deusa grega Diana, deusa da caça e da fertilidade). Toda construída em ouro, prata, ébano e outras pedras, a estátua atraía visitantes de todas as regiões que levavam réplicas da estátua como lembrança. Em 21 de 356 a.C., Heróstrato, um cidadão grego, incendiou o templo para se tornar imortal.

Anos depois Alexandre Magno ofereceu recursos para reconstruir o templo de Ártemis, desde que seu nome ficasse inscrito ali. A proposta foi recusada e anos depois o templo foi finalmente reconstruído ainda maior e mais belo. Entretanto, em 262 d.C. o templo foi novamente depedrado. Desta vez os invasores godos saquearam o templo que, no século 5 d.C. teve o restante de seu mármore retirado para reconstruir a cidade. Finalmente, após uma sucessão de terremotos, o que restara do templo ruiu e suas ruínas descobertas, em 1860, pelo arqueólogo John Turtle Cayster que levou uma de suas colunas ao museu Britânico.

- A Estátua de Zeus no Templo de Olímpia, toda construída em ouro e marfim pelo artista grego Fídias que levou oito anos para terminar sua obra prima (de 450 a 458 a.C.) era monumental. O templo por si só já era magnífico e continha portas gigantescas de bronze que se abriam para revelar a maravilhosa estátua de 64 metros de altura e 72 colunas dóricas do deus dos deuses que segurava em uma de suas mãos a deusa grega da vitória, Nike, e na outra mão um cetro. Seu trono era adornado todo com relevos representando as histórias da mitologia grega. Infelizmente essa maravilha também foi destruída. Em torno de 462 ou 475 d.C. um incêndio destruiu a estátua de Zeus que chegara até, a ser retratada em moedas da cidade de Olímpia. Meio pelo qual conseguimos hoje ter uma idéia de ela como era.

- A próxima maravilha é o Mausoléu de Halicarnasso (na região da moderna cidade de Bodrum, na Turquia), um mausoléu construído por Artemis que mandou erguer o templo para sepultar seu marido, o rei Mausolo, rei de Cária, do qual foi derivada a palavra mausoléu. Artemis morreu dois anos depois de seu marido, não chegando, portanto, a ver o templo terminado. Para a tarefa ela escolhera o arquiteto Pítis, que construiu a estátua que encimava o templo e mais quatro escultores que ornariam cada um, um lado do templo: Escopas, Briáxis, Leocarés e Timóteo. O templo foi destruído no século 15 quando terremotos foram fazendo com que ruísse aos poucos. E em 1494 suas colunas de mármore foram transformadas em argamassa para reforçar o castelo dos Cavaleiros de São João de Malta, em Bodrum.

- O Colosso de Rodes era uma enorme estátua do deus grego Hélios, construída pelo escultor Carés de Lindos no século 3 a.C. para comemorar a desistência dos macedônios em invadir a ilha de Rodes. Estima-se que ela maior que a estátua de Zeus em Olímpia, com 33 metros de altura, toda composta de bronze, pedras e ferro. Ninguém sabe ao certo qual era a aparência da estátua, mas algumas histórias contam que ela representaria o deus Helio segurando uma tocha em uma das mãos e que seu rosto teria sido esculpido com base no rosto de Alexandre Magno. Em 225 a.C. um terremoto derrubou a estátua que destruiu várias casas ao cair. Os habitantes da ilha teriam tentado reconstruí-la, mas um oráculo teria aconselhado a deixar como estava, e foi o que fizeram. Então, em 653 d.C. os árabes que invadiram a ilha venderam o colosso como sucata.

- A última das 7 maravilhas da antiguidade é o Farol de Alexandria. Ele foi construído por volta de 285 d.C. a mando de Ptolomeu, na ilha de Faros (ou Pharos) na costa do Egito. Não se sabem o certo quem o construiu, mas Sóstrates de Cnido, que alguns dizem ter sido arquiteto, teve papel importante na construção do farol. A obra toda feita em argamassa e mármore tinha três andares sobre os quais ficava uma estátua que não se sabe se era de Zeus ou Poseidon. O primeiro andar era um quadrilátero, o segundo um octógono e o último um cilindro, totalizando 137 metros de altura. Durante o dia o farol orientava os viajantes com o uso de um espelho que refletia a luz do sol e, de noite era usada uma fogueira. Após o século 13 e depois de resistir a 22 terremotos e tentativas frustradas de restaurá-lo, o farol ruiu indo parar no fundo do mar Mediterrâneo.

CASA GRANDE E SENZALA - GILBERTO FREYRE

Casa-Grande & Senzala

    Por Ana Lucia Santana



Casa Grande & Senzala foi a obra que consagrou o sociólogo e escritor brasileiro Gilberto Freyre. Este ensaio, lançado em 1 de dezembro de 1993, aborda a formação e o desenvolvimento econômico-social do Nordeste durante a era colonial. O autor vê no cultivo da cana-de-açúcar, em meados do século XVI, um elemento fundamental neste mecanismo.

O escritor recifense aponta a participação significativa da estrutura até mesmo arquitetônica da Casa Grande na constituição da sociedade brasileira e de suas determinações culturais. E destaca a importância da senzala como pólo complementar desta instituição colonial. Tudo gira em torno do patriarcalismo, modelo no qual uma autoridade masculina exercita seu poder sobre todos que se encontram sob seu domínio.

O patriarca detém o controle sobre escravos, familiares, os filhos e seus descendentes, sua cônjuge, entre outros elementos que se abrigam em sua propriedade agrária. A casa-grande atua como um símbolo que agrega a todos, pois manifesta o potencial de acolher os membros que compõem esta comunidade.

Gilberto rejeita a concepção de que o brasileiro, por sua prática constante da mestiçagem, seja inferior a outros povos. Ele reforça a idéia de que a miscigenação concretizada entre ibéricos, indígenas e africanos, contribuiu para a constituição cultural positiva do povo que se desenvolveu em terras brasileiras.

O sociólogo desenvolve neste livro sua tese, expondo o nascimento da sociedade brasileira do ponto de vista da rotina na casa do grande senhor. Esta edificação é um instrumento do autor para representar o próprio país no período colonial, fundado sobre a monocultura do açúcar. Nesta terra recém-descoberta a natureza inclemente é vista como uma barreira a ser vencida, antes de se lograr o desenvolvimento da civilização.

Tentando conquistar riqueza e fama, o colonizador europeu enfrenta a barbárie e, aos poucos, constrói um universo pretensamente civilizado. As famílias que se destacam neste país emergente, por seu poder e sua influência, instauram espaços pioneiros na esfera pública e assim fortalecem laços de soberania e autoridade, gerando teias interativas que se estendem por todas as partes. Desta união de interesses entre núcleos familiares poderosos nasce o Estado, quase como um fator secundário.

De 1532 em diante emergiu uma estrutura social baseada no modelo econômico da exportação, estimulada pelos membros da monarquia brasileira, fixada em um centro produtor, a Casa-Grande, igualmente instituída como núcleo sócio-político. Freyre também demonstra a preponderância do português sobre os indígenas, através dos jesuítas, que atuaram no sentido de dominar este povo por meio da doutrinação moral e espiritual. A eles não restaram muitas opções além de se submeterem a esta colonização da alma, a não ser o árduo labor nas lavouras ou a fuga constante pelas florestas.

Quanto ao escravo, ele tem um papel de destaque na composição da sociedade brasileira, segundo Freyre, agindo até mesmo na essência do povo brasileiro. Esta concepção, somada à visão do autor sobre a sexualidade do brasileiro, abordada explicitamente, impregna esta obra de um potencial subversivo sem igual, o qual requer ainda hoje uma investigação mais profunda, que revele todo seu potencial oculto.



Fontes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Casa-Grande_&_Senzala
http://pt.shvoong.com/humanities/h_history/778363-casa-grande-senzala/

O 13 Que a História não contou



Treze de maio de 1888


Autor: Professor Acúrsio Esteves *

Treze de maio de 1888 passou para a história do Brasil como o dia em que teria se acabado a escravidão em terras tupiniquins. Depois que a pena da princesa anunciou por decreto que não mais haveria jugo, a população negra a partir de então seria livre, não teria mais senhorio e poderia viver com dignidade e igualdade.

Assim a escola me ensinou, assim eu aprendi e assim acreditei durante longos anos da minha vida. É certo que nunca entendi bem porque a Princesa Isabel, “A Redentora”, decidira tomar tal atitude contrariando os interesses dos que detinham o poder e entrando em sintonia com os anseios da subjugada população negra, de alguns poetas, intelectuais e políticos sonhadores que se diziam abolicionistas. Pensava: foi uma verdadeira revolução sem sangue feita por uma mulher de coragem.

O que a escola nunca me ensinou foi que à época, os negócios do açúcar brasileiro, que era a principal fonte de riqueza nacional e onde estava alocada aproximadamente 90% da mão-de-obra escrava, iam de mal a pior. O açúcar da América Central era mais barato, mais próximo dos grandes mercados e de melhor qualidade que o nosso. Não dava para competir. Infelizmente só aprendi a “História da Conveniência”, e Geografia Física onde os aspectos políticos e econômicos “não eram” de nosso interesse.

O imenso contingente de escravos tornara-se então um fardo para os senhores de engenho. Como sustentar esta ”horda” de homens, mulheres e crianças, mesmo sob miseráveis condições, diante de tal crise econômica? Era a pergunta que não se calava e que teve apenas uma resposta: Demissão em massa. Sim amigos e amigas, a demissão em massa foi a solução encontrada para os trabalhadores e trabalhadoras forçados que edificaram e sustentavam a economia nacional. E foi a maior, mais cruel de todos os tempos e quiçá de todas as partes do mundo.

Foi uma demissão sem direitos trabalhistas, quando milhões de trabalhadores saíram do único abrigo que conheceram por toda a vida apenas com seus míseros pertences e a roupa do corpo. E não tinham direito a ficar se quisessem. Só os mais aptos ao trabalho ou os que possuíssem alguma especialização foram mantidos como empregados, apenas pelo interesse do seu senhorio capitalista. Esta demissão teve um nome bonito: Lei Áurea.

Antes dela, porém, vieram outras da mesma forma convenientes aos interesses da classe dominante. Vejamos: A primeira foi a Lei Eusébio de Queirós, em 1850, que proibia o tráfico. Como a Inglaterra na prática já havia decidido interceptar e apreender os navios negreiros, libertando os escravizados, então, foi uma lei inócua.

A segunda, a Lei do Ventre Livre, 1871, serviu apenas para diminuir a pressão social dos abolicionistas. Ela não tinha aplicação prática, pois, como a criança pode ser livre com pais escravos? Será que ela, a criança, teria escola, moradia digna e cidadania enquanto seus pais estavam nas senzalas? Ela, que ainda seria tutelada até a idade de 21 anos pelos senhores de seus pais, teria vida de cidadã ou de escrava?

A terceira, a Lei dos Sexagenários, 1885, foi a mais perversa de todas, pois a expectativa de vida do cidadão livre à época era de 60/ 65 anos e a do escravo 32/40 anos. Eram raros os que chegavam à idade contemplada pela lei. Era muito difícil ter o controle da idade exata do escravo. Ainda hoje não são poucas as pessoas que não possuem registro de nascimento. Então, se o negro estivesse apto ao trabalho, forte, com boa saúde, era fácil dizer que ele ainda não tivesse alcançado a idade prevista pela lei. Porém se ele estivesse doente ou imprestável para o trabalho, nada mais cômodo que conferir-lhe os 60 anos e mandá-lo embora.

Após a “libertação”, o imenso contingente “livre”, dentre os quais estavam os fracos, doentes, velhos, crianças e outros “excedentes”, foi enxotado de uma hora para outra para o olho da rua. Não havia uma política agrária nem instrução pública e gratuita para os libertos, como defendia Joaquim Nabuco. Você já parou para refletir sobre as futuras condições de vida dos(as) que foram “libertados”?

Onde iriam morar?
Como iriam sobreviver?
Iriam ser respeitados de uma hora para outra como cidadãos e cidadãs?
Que tipo de oportunidades a “sociedade” que eles construíram ofereceria para que esta gente construísse sua vida?

Não é preciso ser especialista em sociologia para responder a estas indagações. Mas onde foi parar esta gente escorraçada das ruas das cidades por “vadiagem”? Que não tinha trabalho para sustentar a si nem a sua eventual família, nem moradia digna? Foi parar na periferia das cidades, morando em casas(?) miseráveis, sem esgoto, luz, água tratada, lazer, trabalho, educação, saúde, dignidade... Onde permanece, em sua grande maioria, até os dias atuais. Alguma semelhança com a Rocinha, Alagados, Pela Porco, Buraco Quente, Vigário Geral, Jardim Felicidade, Vila Zumbi, não é mera coincidência.

Morros, favelas, invasões, palafitas; ícones da desigualdade social convivendo lado a lado com o progresso, o conforto, a saúde, o lazer, a educação, o trabalho, a vida digna. Morros, favelas, invasões, palafitas; locus do subemprego, da miséria, da violência, da informalidade, da contravenção, da exclusão, da fome, da morte em vida, da vida que finda a mingua, da injustiça social... Vergonha nacional. Nova versão do antigo jugo escravocrata, quilombos urbanos do século XXI.

* Acúrsio Esteves é professor da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, Faculdades Jorge Amado e FACDELTA, em Salvador, Bahia. É também autor do livro A “Capoeira” da Indústria do Entretenimento e de Pedagogia do Brincar em parceria com a professora Disalda Leite.

Contactos: (71) 9946-4743 / (71) 3233-9255 -acursio1@gmail.com 

VIOLÊNCIA

         Violência é um comportamento que causa dano a outra pessoa, ser vivo ou objeto. Invade a autonomia, integridade física ou psicológica e mesmo a vida de outro. É o uso excessivo de força, além do necessário ou esperado. O termo deriva do latim violentia (que por sua vez o amplo, é qualquer comportamento ou conjunto de deriva de vis, força, vigor); aplicação de força, vigor, contra qualquer coisa ou ente.
         Assim, a violência diferencia-se de força, palavras que costuma estar próximas na língua e pensamento cotidiano. Enquanto que força designa, em sua acepção filosófica, a energia ou "firmeza" de algo, a violência caracteriza-se pela ação corrupta, impaciente e baseada na ira, que não convence ou busca convencer o outro, simplesmente o agride.
         Nos últimos anos, a sociedade brasileira entrou no grupo das sociedades mais violentas do mundo. Hoje, o país tem altíssimos índices de violência urbana (violências praticadas nas ruas, como assaltos, seqüestros, extermínios, etc.); violência doméstica (praticadas no próprio lar); violência familiar e violência contra a mulher, que, em geral, é praticada pelo marido, namorado, ex-companheiro, etc...
         A má distribuição sócio-econômica do país tem dividido as classes econômicas e sociais, travando uma verdadeira guerra aparentemente sem fim. Zonas e sociedades mais pobres e sem educação, como acontecem nas favelas e morros são vítimas tanto quanto das sociedades de maior estrutura financeira, estas, também, desprotegidas, são vítimas de assaltos e sequestros, ciladas que muitas vezes acabam em morte.
         Em todo o Mundo as principais causas da violência são: o desrespeito -- a prepotência -- crises de raiva causadas por fracassos e frustrações -- crises mentais (loucura conseqüente de anomalias patológicas que, em geral, são casos raros).
         Exceto nos casos de loucura, a violência pode ser interpretada como uma tentativa de corrigir o que o diálogo não foi capaz de resolver. A violência funciona como um último recurso que tenta restabelecer o que é justo segundo a ótica do agressor. Em geral, a violência não tem um  caráter meramente destrutivo. Na realidade, tem uma motivação corretiva que tenta consertar o que o diálogo não foi capaz de solucionar. Portanto, sempre que houver violência é porque, alguma coisa, já estava anteriormente errada. É essa “coisa errada” a real causa que precisa ser corrigida para diminuirmos, de fato, os diversos tipos de violências.
         Muita dor de cabeça e poucos passos lentes à frente na luta contra o crime, mas que não deixam de serem passos e de irem em frente, contra os crimes. Possíveis soluções para esse problema que aterroriza toda a população e muda nossos hábitos cotidianos deveriam vir desde muito antes do governo, investido principalmente em educação e melhoria nas estruturas econômicas e educativas. Um problema que merece solução, claro, apesar de ser em longuíssimo prazo e insistência pela busca da ordem social.
         É notório que a violência urbana não é uma chaga de agravante único e presente, mas traz consigo conseqüências comportamentais e psicológicas que atingirão os hábitos, costumes e pensamentos das gerações futuras.
         A falta de educação, de cultura, esporte e oportunidade para jovens faz com que eles procurem algo diferente para fazer, encontrando as drogas em seus caminhos, se tornando dependentes disto para viver, sem dinheiro para o seu consumo acabam cometendo furtos e fazendo qualquer coisa para sustentar o seu vício, se tornando pessoas agressivas e sem noção da realidade. Se o governo investisse mais na educação, na cultura e no esporte, estes jovens estariam sempre com a mente ocupada, fazendo coisas que realmente gostam. Oportunidade de emprego também é muito importante, assim estes jovens se motivariam para ter uma vida melhor. Deveria investir também naqueles que estão no mundo das drogas, oferecendo clínicas de reabilitação, com oportunidades de cursos profissionalizantes que darão novas perspectivas de vida quando os mesmos se reabilitarem.
         As crianças são o futuro do nosso país, devemos cuidá-las para que não escolham este caminho, para que elas tenham uma visão de um futuro melhor.
         “ A violência é o maior câncer da sociedade, seu crescimento transforma-se em neoplasia de tristezas e queixumes, não se iluda, somente a paz e o amor podem dizimá-la.” (Antonio Paiva Rodrigues).