domingo, 6 de março de 2011

Especialista comenta casos de Lavínia, Joanna e Isabella


Mortes como a de Lavínia Azeredo de Oliveira têm sido constantes nos noticiários brasileiros. A menina, de 6 anos, desapareceu no dia 28 de fevereiro e foi encontrada morta em um hotel de Duque de Caxias, Baixada Fluminenese, na última quarta-feira (02). No dia seguinte (03), Luciene Reis de Santana confessou à Polícia a autoria do crime. Ela foi amante do pai da menina, Rony dos Santos de Oliveira, e teria cometido o assassinato para se apropriar de R$ 2 mil, que estava guardado na casa da família Oliveira.
O caso da menina Joanna Cardoso Marcenal Marins é outro exemplo de violência contra crianças. Ela morreu vítima de meningite no dia 13 de agosto de 2010 no Rio de Janeiro. Porém, pode ter sofrido torturas do pai, André Rodrigues Marins, e da madrasta, Vanessa Maia Furtado.
Já a garota Isabella Nardoni morreu, no dia 29 de março de 2008, ao cair do sexto andar do prédio onde morava seu pai, Alexandre Nardoni, e sua madrasta, Anna Carolina Jatobá, em São Paulo. O casal responde judicialmente pelo crime. Segundo a promotoria, Ana Carolina tentou asfixiar a menina e Alexandre jogou-a pela janela.
Para a psicóloga e professora da Universidade de São Paulo, Leila Tardivo, essas três histórias são tristes e revoltantes. "A violência é terrível, e contra a criança fica mais difícil, porque elas não podem se defender", afirma.
Leila Tardivo ainda explica que as pesquisas sobre violência doméstica indicam que houve um aumento, porém a situação pode não ser desfavorável: "Há um aumento de notificações e isso é triste, mas favorável porque se consegue evitar situações como estas."
A psicóloga da Universidade de São Paulo (USP) acredita na possibilidade de evitar a violências familiar deste tipo. " É preciso conscientizar a população. As pessoas devem ser orientadas, e as crianças que sofrem violência precisam receber tratamento, porque situações como estas afetam o desenvolvimento", explica.
A especialista finaliza que melhorias no pré-natal, cursos de conscientização e tratamentos com os envolvidos em violência podem ser medidas de prevenção de crimes contra à criança.

Nany de Castro

Brilho que se apagou antes da chegada aos palcos



Com o sonho de se tornar bailarina profissional, Lavínia já era destaque aos 6 anos e se preparava para ingressar na escolinha de dança do Theatro Municipal
Rio - A pequena Lavínia Azeredo, de 6 anos, assassinada segunda-feira, pela amante do pai, Luciene Reis, de 24, saiu de cena quando se preparava exatamente para subir aos palcos da vida. Aluna de balé clássico e selecionada entre 45 meninas, ela estava sendo lapidada para ingressar, em janeiro do ano que vem, na Escola Estadual de Dança Maria Olenewa.
A instituição, que faz parte da Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro, é a mais antiga escola de dança do País e o maior celeiro formador de bailarinos profissionais para companhias do Brasil e do exterior. Por lá já passaram personalidades como Bibi Ferreira, Ângela Vieira e Roberta Márquez, hoje a primeira-bailarina do Royal Ballet de Londres.
Há dois anos e meio, Lavínia era uma das 18 alunas da turma preliminar 1 do curso de balé clássico do Projeto Péss, na Apapaf (Associação de Pais e Amigos do Parque Fluminense, em Caxias), instituição voltada para crianças de baixa renda e que funciona próxima à casa onde morava. O vice-presidente da associação, Sérgio Moreno, lembra o primeiro contato com a menina. “A pequena Lavínia era muito inteligente, muito envolvente”, emocionou-se.
“A dona Andréa, mãe de Lavínia, me procurou, dizendo que a filha gostava muito de dançar. Foi a senha para um começo, infelizmente interrompido de forma estúpida, brutal e cruel”, reagiu a professora Simone Merari, de 34 anos, que iniciou a menina na arte de dançar e agora terá de se contentar em guardar como recordação a blusinha e a sapatilha do figurino do último espetáculo, além do arranjo de cabelo que a sua ‘princesinha’ usou na formatura do ano passado.
Em novembro, Lavínia foi aplaudida de pé por 345 pessoas, na plateia do Teatro Raul Cortês, no Centro de Duque de Caxias, onde encenou, como um ‘Pássaro Branco’, a personagem no espetáculo ‘O jardim da Criação’. Ela participou do primeiro e terceiro atos, ficando em cena por 1h50. “Foi uma exibição de gala, inesquecível”, lembra, orgulhosa. Uma imagem que ficará para sempre na lembrança da professora.

Sensibilidade e dedicaçãoNa avaliação da professora, Lavínia era uma criança sensível e carinhosa. “Mas a primeira característica que eu observei e que mais me chamou a atenção nela, como bailarina, foi o fato de ela ser extremamente delicada nos movimentos”, lembra ela, ressaltando que a aluna possuía muita habilidade e o tipo físico apropriado para se destacar na dança.
Simone ressalta que, apesar da idade, a menina demonstrava maturidade. “Ela parecia saber o que queria da vida. Por isso, me dizia sempre: ‘Tia, o meu grande sonho é ser bailarina’”, lembrou, às lágrimas. A dedicação era outra qualidade de Lavínia: “Era uma menina especial, muito educada, comprometida e determinada, que fazia questão de não faltar às aulas e já queria usar sapatilhas de pontas. Com certeza, todo mundo gostaria de ter uma filha assim”.

GERALDO PERELO

menina morta em Duque de Caxias - LAVÍNIA

Pai de menina morta em Duque de Caxias passal mal ao chegar ao cemitério

Rio - Rony dos Santos Oliveira, pai de Lavínia Azeredo de Oliveira, passou mal na chegada ao cemitério Municipal de Duque de Caxias, onde a filha será sepultada nesta quinta-feira. Rony chegou a desmaiar e precisou ser amparado por amigos e parentes.
O corpo da menina Lavínia, morta dentro de um hotel no Centro de Duque de Caxias pela ex-amante do pai, já está no cemitério - o sepultamento está marcado para às 11 horas. A mãe da menina, muitos parentes e amigos já estão no local. Manifestantes chegaram a pedir pena de morte para a assassina.
Foto: Eduardo Naddar / Agência O Dia
Amante do pai de Lavínia, Luciene Reis confessou na delegacia que sequestrou e matou a menina | Foto: Eduardo Naddar / Agência O Dia
Lavínia foi encontrada morta, nesta manhã, sob a cama de um dos apartamentos do Hotel. De acordo com informações colhidas pelos peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), Lavínia teria sido morta por asfixia mecânica, já que foram encontradas marcas no pescoço da menina em decorrência de enforcamento causado pela utilização de um cordão de tênis. A menina Lavínia havia sido levada da casa dos pais, no início da semana, e vinha sendo procurada por policiais da 60ª DP (Campos Elísios) onde o caso do desaparecimento era investigado.
Luciene Reis, de 24 anos e mãe de três filhos, já era suspeita e havia negado a autoria do crime quando questionada pela Polícia Civil. Ela acabou presa por volta de 11h30 de quarta-feira, horas depois que o corpo da menina foi descoberto. No início da noite confessou o crime - as autoridades obtiveram imagens do circuito interno de um ônibus que mostram a suspeita conduzindo Lavínia.

DÊ SEU COMENTÁRIO

CASO LAVÍNIA - DUQUE DE CAXIAS

RIO- O enterro da menina Lavínia Azeredo de Oliveira, de 6 anos, está marcado para às 11h desta quinta-feira no Cemitério Municipal de Duque de Caxias. O corpo ainda não chegou ao local. A família da criança está no Instituto Médico-Legal (IML) do município para liberar o cadáver. A menina, que estava desaparecida de casa desde segunda-feira, foi encontrada morta nesta quarta-feira em um quarto de hotel no Centro de Duque de Caxias. Ela foi enforcada com um cadarço. A amante do pai da criança é suspeita do crime. Luciene Reis Santana, de 24 anos, está presa.

quinta-feira, 3 de março de 2011

CASO LAVÍNIA RJ

A amante do pai da menina Lavínia, Luciene Reis, confessou na noite desta quarta-feira (2) ter matado a menina, confirmou o delegado Robson Costa, da 60ª DP (Campos Elíseos), ao RJTV.
A criança, de 6 anos, foi encontrada morta no quarto de um hotel, nesta quarta, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, depois de dois dias desaparecida.
Mais cedo, a Polícia Civil do Rio de Janeiro divulgou as imagens gravadas pelo circuito interno de segurança de um ônibus que mostram a criança acompanhada por Luciene, momentos após o sequestro ocorrido na segunda-feira (28).
Segundo a polícia, as imagens foram captadas por volta das 5h25 de segunda-feira, em um ônibus da linha 15, que faz o trajeto Pantanal - Caxias - São Bento. Na gravação, no entanto, a hora difere, pois não foi atualizada após o fim do horário de verão - iniciando às 6h25.
O delegado Robson Costa já havia pedido a prisão temporária de 30 dias para Luciene, que está na delegacia, aguardando transferência para a carceragem da Polinter. A prisão foi decretada pela 4ª Vara Criminal de Duque de Caxias.
Pena de até 30 anosApesar dos indícios, Luciene negava a autoria do crime. Chorando e escondendo o rosto, a suspeita disse: "Não fui eu, não fui eu". O delegado Robson Costa informou que a amante do pai de Lavínia vai responder pelo crime de sequestro seguido de morte. Segundo a polícia, a pena para o delito pode variar de 24 a 30 anos.
A polícia informou ainda que testemunhas do hotel, onde o corpo de Lavínia foi encontrado, reconheceram Luciene. O delegado acredita que a menina teria sido assassinada no dia em que sumiu de casa.
A mãe de Luciene, a aposentada Neide Reis, de 57 anos, afirmou que a filha sempre teve problemas de relacionamento com a família desde quando era criança. No entanto, a mãe ficou surpresa e ainda resiste a acreditar que a filha tenha assassinado a criança de maneira tão cruel.
“O que essa criança tem a ver? Ela [Luciene] também tem filhos, como ela pode ter feito isso? Eu a levo para o conselho tutelar desde os 12 anos, ela fugia de casa e aprontava. Acho que ela tinha algum problema desde criança. Tenho pena do Rony, o pai da Lavínia, ele ajudou muito a Luciene durante o pouco mais de um ano que eles namoraram. Ele inclusive pagava o aluguel dela", declarou a mãe da suspeita.
Pai está em choque, diz advogadaA advogada da família de Lavínia, Adriana Santana, chegou por volta das 17h à delegacia. Segundo ela, o pai da criança, Rony, está em casa, em estado de choque. A mãe da menina está ao lado dele, o consolando, de acordo com a advogada, que mais cedo esteve na casa dos pais da criança.
"A Andréia tem um sistema nervoso diferente do nosso, por ser uma pessoa muito confiante em Deus, muito católica. Neste momento, surpreendentemente, ele está dando apoio ao Rony, inconformada também, óbvio, mas cada um tem sua maneira", disse ela.
R$ 2 mil podem ter motivado o crime"A ganância foi o principal motivo", diz o delegado, que afirma não acreditar que o pai da menina nem o ex-marido de Luciene tenham envolvimento no crime. Ainda de acordo com Robson Costa, o crime teria sido motivado por dinheiro.
Segundo a polícia, Luciene sabia que o pai de Lavínia tinha cerca de R$ 2 mil em casa, provenientes da venda de um carro. As investigações indicam que, ao entrar na casa da família, a amante teria chamado a atenção da menina e resolveu levá-la para não ser reconhecida. A polícia afirma ainda que ela tinha a intenção de incriminar o ex-marido.
No dia do seu desaparecimento, um vizinho chegou a informar que Rony dos Santos, pai da menina, e Luciene haviam brigado durante a madrugada e que a amante teria ameaçado se matar. Na noite de terça-feira (1º), uma testemunha afirmou à polícia que viu uma mulher arrastando uma criança com as mesmas características de Lavínia em Caxias.
Como foi o casoSegundo a versão de Andréia Azeredo, mãe de Lavínia, por volta das 3h, Rony teria chegado em casa. A filha acordou, Andréia a levou ao banheiro e depois voltou a dormir. Ela disse que trancou a janela do quarto da criança e a porta de casa, que fica no segundo andar de um imóvel.
Às 5h45 ela acordou, como de costume. Não encontrou a filha e viu a porta de casa e a janela do quarto da criança abertas. Rony, neste momento, estava saindo para trabalhar, segundo ela. “Falei pra ele que ela tinha sumido e aí começou o desespero”, contou.
Andréia também contou que, antes do marido chegar, ligou para o celular dele dezenas de vezes e em uma delas uma mulher atendeu.

quarta-feira, 2 de março de 2011

RIO - BREVE HISTÓRICO
"No 1º Congresso de História Nacional, realizado no Rio de Janeiro, em 1914, o Dr. Morales de los Rios apresentou uma sugestiva tese quanto à sua origem. O nome não teria uma razão geográfica ligada à descoberta da terra, mas seria formado a partir da palavra indígena Guanabára, que significava água penetrante, rio largo, enseada, baía.
Os franceses, que teriam conhecido a região entre as viagens de Fernão de Magalhães e Martin Afonso de Sousa, no decênio de 1520, provavelmente deturparam a palavra para Geneur bára.
Os autores latinos do início do século 16 teriam traduzido por Flumen Geneure, surgindo a tradução francesa Rio de Geneure, raiz da expressão portuguesa que confundiu Geneure com o primeiro mês do ano.
A tese não satisfaz porque carece de base convincente, não tendo dados de história e cartografia que a possam ilustrar; e na evolução filológica não se pode mostrar com clareza a transição", segundo Joaquim Veríssimo Serrão.
Somente após a viagem de Magalhães o topônimo entra na História. Mas se já fosse conhecido, Pigafetta, Francisco Albo e Martin de Aimonte não teriam feito referência ao nome de Santa Luzia e Santa Lucia. Varnhagen batizou a terra a 1º de janeiro de 1502, mas sua tese é pouco válida por carência de base.
O historiador Capistrano de Abreu, em "História Geral do Brasil" (4ª edição), mantém que o nome já era conhecido ao tempo da viagem de Magalhães, mas suas fontes não provam o que pretende concluir. Se fosse conhecido, João Lopes de Carvalho teria sido o primeiro a se referir ao nome, e também João de Lisboa, no seu Tratado de Agulha de 1514.
Segundo Joaquim Veríssimo Serrão, "o nome de Santa Luzia, que não logrou audiência, sucedeu o de Rio de Janeiro, que surge nos documentos a partir de 1522. Sobre a viagem de Magalhães, conhece-se uma carta de Antonio de Brito, capitão das Molucas, ao Rei D. João III. Trata-se de um funcionário português no Oriente, que teve contatos com os nautas quando de sua chegada ao Pacífico, que comunica ter a esquadra aportado ao Cabo dos Baxos de Ambar, tomando depois a costa até o rio, que se chamava Janeiro. O topônimo era recente e apenas pronunciado por membros da frota, não se tendo fixado na terminologia náutica".
Do roteiro do piloto genovês Giovanni Baptista, que fazia parte da esquadra de Magalhães, escrito em italiano, foram extraídas cópias, incluindo uma tradução portuguesa, já publicada pelo Cardeal Saraiva em suas "Obras Completas".
O nome do Rio de Janeiro
Os marinheiros já conheciam um Rio de Santa Luzia ou Santa Lucia, que corresponde ao atual Rio Caravelas; e também, na costa da África, já existia uma baía com nome idêntico; portanto, não é de se estranhar que tivessem procurado batizar o sítio da Guanabara de maneira nova, evitando indução a erro de navegadores.
Como a partida se deu a 26 ou 27 de dezembro, a mentalidade dos homens de mar, integrados num quadro social menos arraigado à cronologia fixa, poderia levar à fácil confusão com o mês de janeiro.
O topônimo Rio de Janeiro poderia ter significado "o rio de onde partimos no início de janeiro".
No decorrer da viagem, o nome teria se fixado na conversa dos tripulantes, recebendo fácil aceitação. A partir daí, se gravou na cartografia e nas fontes históricas.
A Fundação da Cidade
No dia 1º de março foi iniciada a edificação da cerca que colocaria os portugueses ao abrigo do ataque dos Tamoios.
À pequena cerca deu Estácio de Sá o nome de São Sebastião, em lembrança do patrono do Rei de Portugal sob cujo signo se erguia a nova cidade. A 6 de março foram atacados pelos índios no comando de Ambiré, inimigo dos portugueses e alcançaram sua primeira vitória, embora parecesse que havia cem índios para cada português. Quatro dias depois, avistaram uma nau francesa no fundo da Baía e, enquanto lhe davam combate, o arraial foi atacado por quarenta e oito canoas dos Tamoios. O capitão conseguiu vencer os índios e levar os franceses à rendição no dia 13 de março.
O primeiro mês de vida do arraial foi de extrema dificuldade para os homens de Estácio de Sá.
Além dos ataques dos índios chovia abundantemente. As provisões esgotavam-se e houve mesmo fome. O ânimo dos moradores começava a esmorecer e o Capitão-mor não cansava de lhes incutir confiança, trabalhando de dia e de noite.
Não se tem notícias de cartas trocadas entre o Rio de Janeiro, o Reino e o Governador, pedindo tropas de socorro. Mas quando Anchieta esteve na Bahia, em julho, deve ter apresentado ao Governador a situação em que se encontravam os moradores do Rio de Janeiro.
Nos fins de 1565, preparava-se em Lisboa uma armada para enviar ao Brasil. A largada deu-se em maio seguinte, com o comando de Cristóvão de Barros. Na expedição estava também o novo Ouvidor Geral, Fernão da Silva, que vinha substituir Brás Fragoso. Mem de Sá também deveria seguir para o Rio com a frota, quando aportasse na Bahia. Naquela época, os franceses eram senhores de fortificações junto ao mar e no sertão.
Na frota, o Regente D. Henrique enviara duas cartas mandando lançar o hábito de Cristo a Mem de Sá e ao sobrinho Estácio, em recompensa pelos serviços prestados à Coroa Portuguesa.
A Corte não poderia estimar, nesta época, a magnitude da obra erguida no Rio de Janeiro, graças a Estácio de Sá, por isto o considerava sem os títulos e qualidade que merecia.
A frota de socorro chegou a Salvador em 24 de agosto, onde permaneceu alguns meses, juntando mais dois navios e seis caravelas.
No outono de 1566 faziam-se os últimos preparativos para a partida ao Sul.
Na Guanabara não cessavam os ataques à Vila de São Sebastião. O índio Guaraxá, em 9 de julho de 1566, fizera um violento ataque ao arraial. O Capitão-mor atirou-se contra o inimigo, desbaratando o temível Guaraxá.
Estácio de Sá preocupava-se com os aspectos importantes da vida de sua pequena comunidade, formada de homens de formação social diferentes, muitos excelentes guerreiros mas marcados por taras sociais. Era difícil passar o tempo numa língua de terra onde se vivia o constante receio de um ataque inimigo, sem outro pensamento que não a incerteza do dia seguinte.
De acordo com Joaquim Veríssimo Serrão, "o Capitão-mor nomeou Pedro Martins Namorado para o cargo de Juiz Ordinário; a Câmara local foi representada a 24 de julho de 1565 por João Prosse; Pedro da Costa era o Tabelião; Francisco Dias Pinto era o Alcaide-mor da Vila de São Sebastião, tendo sido empossado em 13 de setembro de 1566; João Luís do Campo foi nomeado escrivão e Pero da Costa, Tabelião das Notas".
Comprovantes da Fundação da Cidade
Os acontecimentos da fundação da cidade passaram à História, fundamentados e demonstrados por documentação de valor incontestável. Não obstante, alguns historiadores colocam em questão não só a época e data do feito, como também o local exato do mesmo.
Por esta razão, três fontes podem ser citadas, para atestar a verdade dos fatos: José de Anchieta tomou parte ativa na fundação da cidade.
Logo após, seguiu para a Bahia, de onde escreveu uma carta ao Provincial da Companhia de Jesus, o Padre Diogo Mirão.
Desta carta, datada de 9 de julho de 1565, pode ser destacado o seguinte trecho: "Logo ao seguinte dia, que foi o último de fevereiro ou o primeiro de março, começaram a roçar em terra com grande fervor e cortar madeira para a cerca, sem querer saber dos tamoios nem dos franceses,..." "..., a cerca que tem feita não é mais que um pé a tomar posse da terra, sem se poder dilatar nem sair dela sem socorro de sua alteza, a quem Vossa Reverendíssima deve lembrar e incitar que logo proveria, porquê ainda que é cousa pequena a que se tem feito, contudo é maior e basta-lhe chamar-se Cidade de São Sebastião para ser favorecida do Senhor, e merecimentos do glorioso mártir..."
Frei Vicente do Salvador esteve no Rio em 1607, 1608 e 1624; foi o autor da primeira "História do Brasil", publicada em 1627. O autor descreve a fundação da cidade do Rio de Janeiro, com precisão e minúcia, uma vez que colheu informações diretas de testemunhas dos acontecimentos, inclusive o próprio Anchieta, de quem foi contemporâneo no Colégio de Jesuíta da Bahia.
Frei Vicente esclarece o dia da fundação da cidade e também o local em que foi fundada: "...entrou pelo Rio em o primeiro de Março, e anchorando em a enseada, saltarão em terra, e feito tujupares, que são humas tendas ou choupanas de palha, para morarem, onde agora chamam a Cidade Velha, ao pé de um penedo, que se vai à nuvens, chamado o Pão de Assucar, se fortificarão com baluartes e trincheiras de madeira e terra, o melhor que puderão,..."
Outro atestado de valor é o de Gabriel Soares de Sousa, que viveu dezoito anos no Rio e foi contemporâneo dos primeiros Governadores da Cidade. No seu Tratado Descritivo do Brasil, de 1587, assim se manifesta: "E comecemos, do Pão de Assucar, que está na banda de fora da barra - que é um pico de pedra mui alto, de feição do nome que tem, no qual na parte a barra que se diz - Cara de Cão - há um pouco espaço de terra que fica entre essa ponta e o Pão de Assucar, terra baixa e chã, e virando-se dessa ponta para dentro da barra se chama Cidade Velha, onde ela se fundou primeiro." - como citado no livro "Rio de Janeiro em Seus Quatrocentos Anos - Formação e Desenvolvimento da Cidade".
Fonte: Site - Rio de Janeiro - Sua História, Seus Encantos

terça-feira, 1 de março de 2011

Região Oceânica expande porque mistura praias a clima ameno


Camboinhas, Itacoatiara, Itaipu e Piratininga recebem empreendimentos para morar e investir. Aluguéis chegam a R$ 6 mil enquanto valor de compra passa de R$ 2,7 milhões

A Região Oceânica de Niterói está em plena expansão, e atrai cada vez mais novos moradores por conta da mistura de suas praias com clima de montanha. De olho nisso as construtoras também investem no local, onde bairros como Camboinhas, Itacoatiara, Itaipu e Piratininga ganham novos empreendimentos. A demanda, cada vez maior, não está sendo suprida pela oferta, o que tem elevado os preços substancialmente. Aluguéis podem chegar a R$ 6 mil e o valor para compra pode ultrapassar a barreira dos R$ 2,7 milhões. Construtores e corretores confirmam que a região é uma área natural de expansão de Niterói.
A boa qualidade de vida, os serviços disponíveis e as belas praias são, sem dúvida, os atrativos da Região Oceânica. No entanto, especialistas lembram que é necessário que o poder público invista na infraestrutura e no acesso dos bairros para permitir um crescimento ordenado, saudável e que faça jus às belezas da Região Oceânica.
Segundo Ilka Martins, corretora da Offir Imóveis, a demanda na Região Oceânica é muito maior do que a oferta, o que tem feito os valores para aluguel e compra aumentarem substancialmente nos últimos anos. Ela explica que é praticamente impossível comprar uma casa ou apartamento por menos de R$ 300 mil.
“É impressionante a atração dos moradores de Niterói e de outros municípios pela Região Oceânica. Por ser uma área que congrega as praias mais bonitas da cidade com o clima de montanha, cada vez mais pessoas estão escolhendo bairros como Camboinhas, Itacoatiara, Itaipu e Piratininga para viver, e não apenas passar o verão”, explica.
Camboinhas e Itacoatiara, segundo ela têm os preços mais caros, tanto com relação a aluguel como a compra de imóveis.
“Em Piratininga, casas ou apartamentos de 3 quartos tem aluguéis que variam de R$ 1,5 mil a R$ 2,8 mil, mais taxas. Em Camboinhas e Itacoatiara os preços são a partir de R$ 2 mil, mais taxas. Já em Itaipú, os aluguéis caem um pouco, e começam em R$ 1 mil. É claro que tudo varia de acordo com o imóvel. Quando há piscina, área de lazer, ou vista pro mar os valores crescem substancialmente, e podem chegar facilmente aos R$ 6 mil, por exemplo”, explica.
Wilson Dreux, gerente geral do Grupo Imóveis confirma que o mercado está aquecido na região. Ele destaca que a procura por imóveis nos bairros da Região Oceânica, são feitas, na maioria dos casos, por moradores de cidades e estados vizinhos.
“A tranquilidade da região, a proximidade das praias e a qualidade dos imóveis atrai os novos moradores. Os preços acompanham a valorização do mercado”, explica.
Os valores dos imóveis, como é comum no mercado imobiliário, variam de acordo com a localização e estado de conservação e, no caso da Região Oceânica, proximidade com o oceano.
“Quanto melhor for a vista ou a proximidade do mar, maior vai ser o valor pago na compra ou no aluguel”, conta Dreux.
Em Piratininga, por exemplo é possível encontrar apartamentos com preços entre R$ 350 mil e R$ 1,8 milhões. Em Camboinhas os preços são ainda maiores, começando em R$ 600 mil e ultrapassando os R$ 2 milhões, dependendo do caso. Em Itacoatiara há unidades de quatro quartos, com piscina, de frente para o mar, que custam R$ 2,7 milhões.
Extensão – Diretor da Bacos Construtora, Richard Sonsol explica que a região é vista pelo mercado imobiliário como uma extensão natural das áreas de moradia de Niterói, e que tem grande potencial de crescimento.
“Com certeza Niterói continuará seu crescimento por esta região. Os empreendimentos recém lançados em Itacoatiara, Piratininga e Itaipu,com grande velocidade de vendas, comprovam isso. Tivemos uma boa experiência com o residencial Praias Oceânicas, em Itaipu, e voltaremos a investir na região”, explica ele, lembrando que uma das características dos bairros locais são os terrenos grandes com possibilidade de construção de empreendimentos com grandes áreas de lazer.
José Francisco Vieira Coelho, diretor da Pinto de Almeida, explica que o crescimento da região é facilmente comprovado.
“A Região Oceânica vem registrando o maior crescimento de toda a Região Metropolitana do Rio. É também a área de maior expansão da classe média, com taxa anual da ordem de 10% por ano. O desenvolvimento de Niterói caminha neste sentido e nós acompanharemos esta demanda”, explica ele, acrescentando que a empresa está investindo nos bairros do local e lançará, em maio, o residencial Portal de Itaipu, com 178 apartamentos de 2 e 3 quartos.
Limitação – Para Rodrigo Alves, diretor comercial da CALL Construtora, a compra de imóveis nos bairros da Região Oceânica são um bom investimento, com valorização imediata. Ele explica, por exemplo, que a nova lei, aprovada pela Prefeitura de Niterói que limita a construção de empreendimentos comerciais e coletivos em Itacoatiara, vai fazer com que as ofertas no bairro sejam ainda mais escassas.
“A Região Oceânica de Niterói é uma extensão das áreas de boa moradia da cidade, que tem bairros como Icaraí, Jardim Icaraí e Fonseca saturados. A ordem natural é crescer para lá. Em Itacoatiara, por exemplo a procura é grande, e as ofertas muito poucas. Nós da Call, por exemplo, entregaremos no próximo mês o Residencial Fiori de Itacoatiara, que teve 95 das suas unidades vendidas, só restando 11 coberturas. Quem adquiriu imóvel no bairro já teve seu investimento valorizado”, alerta ele, lembrando que a mudança na legislação da Região Oceânica permitirá mais investimentos, já que o setor precisa trabalhar com regras claras sobre a construção civil.